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Leqembi e o Futuro do Alzheimer : Uma Nova Era de Tratamento que Desacelera o Declínio Cognitivo

Sou Dr. Daniel Bolognese, médico geriatra, e hoje trago uma análise atualizada sobre um dos maiores avanços terapêuticos no tratamento da doença de Alzheimer: a chegada do anticorpo Leqembi (lecanemabe) — recentemente aprovado pela Anvisa e com impacto direto na prática clínica dos idosos com comprometimento cognitivo inicial.

O que é o Leqembi (lecanemabe)?
Leqembi é um anticorpo monoclonal direcionado à proteína beta-amilóide, uma molécula que se acumula no cérebro de pacientes com Alzheimer e está diretamente relacionada à progressão da doença. Diferentemente dos tratamentos tradicionais que apenas tentam aliviar sintomas, o Leqembi atua na fisiopatologia, reduzindo as placas amiloides e retardando o declínio cognitivo em estágios iniciais da doença.
Esse medicamento é administrado em infusões intravenosas, com acompanhamento médico rigoroso, pois sua eficácia exige critérios diagnósticos e monitorização cuidadosa.

Indicações aprovadas no Brasil
A Anvisa aprovou o Leqembi (registro publicado no Diário Oficial da União em dezembro de 2025) para uso em pacientes com Alzheimer em estágio inicial, como aqueles com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pela doença, e que tenham confirmação da presença de placas amiloides no cérebro.
Estudos clínicos demonstraram que pacientes tratados com Leqembi apresentaram uma progressão cognitiva mais lenta ao longo de 18 meses, quando comparados ao grupo controle, o que representa um marco nas terapias interativas com mecanismos biológicos da doença.

Leqembi está no Rol da ANS? E os planos de saúde?
Importante esclarecer: o Leqembi ainda não consta no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) — a lista oficial que os planos de saúde usam como referência para cobertura de procedimentos. Mesmo assim, o medicamento já possui registro sanitário válido pela Anvisa, o que significa que ele é um tratamento aprovado, não experimental, com segurança, eficácia e qualidade avaliadas e autorizadas no Brasil.

O que isso significa para os pacientes e familiares?
A chegada do Leqembi ao Brasil representa uma nova fronteira no tratamento da doença de Alzheimer, oferecendo:
• Uma abordagem que interfere diretamente no curso biológico da doença;
• Possibilidade de retardar o declínio cognitivo em fases iniciais
• Esperança de preservar funções mentais e autonomia por mais tempo.
Porém, acesso ao tratamento ainda enfrenta desafios, como seu alto custo, necessidade de diagnóstico preciso e criterioso acompanhamento clínico.

EM RESUMO:
O Leqembi não é uma “cura” , mas é um divisor de águas no cuidado com pacientes idosos com Alzheimer em estágios iniciais. Ele simboliza como a medicina moderna pode transformar expectativas em resultados reais, com ciência, ética e foco no paciente.
Porque quando combatemos o Alzheimer com conhecimento e coragem, damos esperança à mente e à vida que ainda querem florescer.

REFERÊNCIAS:


1. van Dyck CH et al. Lecanemab in Early Alzheimer’s Disease. New England Journal of Medicine. 2023;388:9–21. Estudo CLARITY-AD (fase 3): redução de ~27% no declínio cognitivo (CDR-SB) em 18 meses.

2. Swanson CJ et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled phase 2 trial of lecanemab in early Alzheimer’s disease. Alzheimer’s Research & Therapy. 2021;13:80. Estudo BAN2401-G000-201, base para dose e desenho do fase 3.

3. Tolar M, Abushakra S, Sabbagh M. The path forward in Alzheimer’s disease therapeutics: Reevaluating the amyloid cascade hypothesis. Alzheimer’s & Dementia. 2020;16(11):1553–1560.

4. Söderberg L et al. Lecanemab selectively binds to soluble amyloid-β protofibrils. Alzheimer’s Research & Therapy. 2023;15:22.

5. Sperling RA et al. ARIA in amyloid-modifying therapeutic trials. Alzheimer’s & Dementia. 2011;7(4):367–385.